Radar não é afetado por densidade, temperatura nem pressão. É afetado por geometria do tanque e pelo dielétrico do produto.
O radar de nível ganhou espaço porque elimina as variáveis que atrapalham as outras tecnologias: mudança de densidade, variação de temperatura, pressão de vapor. Mede distância pelo tempo de voo da onda eletromagnética, e ponto.
Mas ele tem limites próprios, e eles são geométricos.
Constante dielétrica do produto
É o fator número um. Quanto maior a constante dielétrica, mais forte o eco refletido. Água (≈80) reflete muito bem. Hidrocarbonetos leves (≈2) refletem pouco, e em tanque alto o sinal de retorno pode ficar abaixo do limiar de detecção.
Para produtos de baixo dielétrico, existem versões de alta sensibilidade — ou usa-se radar guiado por haste, que concentra a energia ao longo do guia em vez de espalhá-la no espaço livre.
Obstruções no cone de emissão
Escada interna, agitador, serpentina de aquecimento e o próprio bocal geram ecos falsos. O instrumento pode travar em uma obstrução fixa e reportar nível constante.
A solução é de instalação, não de configuração: posicione o bocal afastado da parede e fora do alcance das estruturas internas, e faça o mapeamento de ecos falsos (false echo mapping) com o tanque vazio.
Bocal e antena
Bocal muito longo ou estreito atenua o sinal e gera reflexões internas. A antena precisa ultrapassar a face inferior do bocal. Um bocal mal dimensionado é a causa mais comum de radar que "nunca funcionou direito" desde a partida.
Turbulência e espuma
Superfície agitada espalha o sinal. Espuma absorve. Em ambos os casos o eco enfraquece. Tubo tranquilizador (stilling well) resolve turbulência; espuma persistente às vezes pede outra tecnologia.




